Azeitunos Honorários

 

Álvaro da Silva Santos

Durante o mês de Março do ano de 1964 juntam-se na Columbia Records Paul Simon e Art Garfunkel para gravar aquele que seria o álbum de estreia desta dupla famosa. No mesmo ano em que era lançado Wednesday Morning, 3 A.M., nascia na ultramarina Angola Álvaro Manuel da Silva Santos.

Mais dado aos números do que à música, já em Portugal, licenciou-se em Matemática pela Universidade do Minho tendo-se mais tarde especializado em Administração Escolar e Pública.

Foi precisamente na Universidade do Minho, enquanto presidente da sua Associação Académica (AAUM) nos anos de 1991 e 1992, que a sua ligação à música e mais concretamente à Azeituna cresceu e se consolidou. Foi inestimável o seu apoio a todas as actividades do grupo nesses inícios dos anos 90 e a própria ligação da Azeituna à AAUM era bastante forte, com alguns elementos da tuna a fazerem também parte da estrutura directiva da Associação nos departamentos cultural e desportivo.

Foi assim com naturalidade que no ano de 1993, em pleno palco do I CELTA, se oficializasse a união de Álvaro Santos à Azeituna, passando então o grupo a contar com mais um Azeituno nas suas fileiras.

Para além de Presidente da AAUM, Álvaro Santos participou ainda de muitas outras actividades associativas. Enquanto estudante na Universidade do Minho (UM) foi membro da Assembleia, do Senado e do Conselho Académico, Secretário da Mesa da Reunião Geral de Alunos, Presidente da Rádio Universitária do Minho e ainda membro do Conselho Nacional para a Acção Social do Ensino Superior, em representação dos estudantes das universidades portuguesas.

Desempenhou profissionalmente os mais variados cargos. Desde Assessor e Adjunto da Secretária de Estado da Juventude na Presidência de Conselho de Ministros a Secretário Geral do Conselho Nacional para a Acção Social do Ensino Superior, passando também pela Vereação da Câmara Municipal de Vila Verde.

Desportivamente falando, e apesar do seu Benfiquismo o ter levado a Presidente da Casa do Benfica de Vila Verde, foi membro da Direcção do Sporting Clube de Braga e Vice-Presidente da Assembleia Geral do Vilaverdense Futebol Clube.

Como vilaverdense de gema ocupa ainda honrosamente os cargos de Presidente das Assembleias Gerais dos Bombeiros Voluntários de Vila Verde e da Misericórdia de Vila Verde.

Sérgio Machado dos Santos

A 25 de Março de 1882 era inaugurado o primeiro funicular construído na Península Ibérica, o Elevador do Bom Jesus de Braga, actualmente o mais antigo elevador ainda em serviço no mundo a utilizar o sistema de contrapesos de água.
Exactamente sessenta e dois anos depois da inauguração dessa obra de Engenharia, nascia aquele que viria a ser Magnífico Reitor da Universidade do Minho entre 1985 e 1998, Sérgio Machado dos Santos, responsável por ajudar a elevar a Azeituna nos seus primeiros anos e por utilizar o seu bom senso e sabedoria como contrapeso à falta de juízo demonstrada pelos imberbes tunos azuis.

É na infância que se precisa de maior apoio. E nesse aspecto, pode a Azeituna agradecer a Sérgio Machado dos Santos por ter acompanhado com amizade os primeiros passos da sua actividade. Tendo sido inesgotável o seu apoio - tanto presencial como institucional - foi com naturalidade que em 1993, durante o I CELTA, lhe foi atribuído o título de Azeituno Honorário, em simultâneo com Álvaro Santos e Maria do Céu Ramos.

Tendo desempenhado diversos cargos ligados a inúmeras instituições de ensino e investigação, é actualmente Professor Catedrático Aposentado e Reitor Honorário da Universidade do Minho, desempenhando também funções de vogal executivo do Conselho de Administração da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES). A nível internacional, é Membro Vitalício da International Association of University Presidents (IAUP). É ainda Membro Conselheiro da Ordem dos Engenheiros, Doutor Honoris Causa pela UNIVALI, Brasil, e condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Instrução Pública (1995) e com a Grã Cruz da Ordem do Infante (2002).

A nível académico, é licenciado em Engenharia Eletrotécnica pela Universidade do Porto
(1968), mestre em Eletrónica Digital (1972) e Doutor em Sistemas de Controlo (1974)
pelo UMIST, UK. Actualmente o seu trabalho de investigação centra-se no domínio das
políticas do ensino superior, com destaque para o tema da avaliação.

Maria do Céu Baptista Ramos

Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Se em Agosto de 1962 Lavoisier fosse ainda vivo, teria observado mais uma prova da sua eterna lei. No mês em que morria nos EUA Marilyn Monroe, nascia em Portugal Maria do Céu Ramos, Secretária de Estado da Juventude à época da fundação da Tuna de Ciências.

A Azeituna e Maria do Céu Ramos conhecem-se em Bruxelas durante a deslocação do grupo ao “Salão Europeu do Estudante” de 1993, sendo a ligação entre ambas selada com um belíssimo jantar em que reinou a boa disposição.

Tendo recebido o título de Azeituna Honorária em pleno palco do Theatro Circo (I CELTA), há uma história caricata que merece ser contada neste momento.

O bandolim de luxo construído nas oficinas de Domingos Machado e ofertado à Azeituna por Maria do Céu Ramos no momento em que era homenageada, veio a desaparecer misteriosamente durante anos. Para gáudio dos tocadores, esse mesmo bandolim acabou por ser resgatado das mãos de um caloiro de uma outra tuna durante um festival. O referido instrumento, ainda com a placa identificadora da Azeituna, encontrava-se em muito mau estado. Entretanto foi reparado sendo usado frequentemente pela Azeituna nas suas actuações.

A Advogada que viria a ser a primeira Azeituna Honorária (e única até à data) foi, além de Secretária de Estado da Juventude do XII Governo Constitucional (1991-1995), Deputada à Assembleia da República entre 1995 e 2001. Desempenha neste momento o cargo de Secretária Geral da Fundação Eugénio de Almeida

Maria do Céu Ramos é Licenciada em Direito e pós-graduada em Ciências Económicas e Empresariais e em Gestão da Criatividade e do Design para a Inovação Empresarial. É membro da Direcção do Centro Português de Fundações e do Conselho Regional da CCDR - Alentejo.

“General” Armando Osório

A 13 de Abril de 1943, no aeródromo do Campo Henderson na ilha de Guadalcanal, foi interceptada a mensagem japonesa que iria permitir aos americanos vingarem-se do Almirante Isoroku Yamamoto, responsável pelo massacre de Pearl Harbor. Nesse mesmo dia em que se pintava mais um marco sangrento da Segunda Guerra Mundial, nascia Armando Maria da Cunha Osório Araújo, o pacifista.

Apesar da comissão de serviço militar no norte de Moçambique em finais dos anos 60, este bracarense de S. Lázaro, pai de um e avô de dois, acaba por se dedicar a missões mais pacificadoras como a de responsável máximo dos Serviços de Acção Social da Universidade do Minho (SASUM) entre 1975 e 2003, ano da sua própria aposentação. Durante estes 28 anos à frente dos SASUM, Armando Osório é agraciado com vários títulos de Sócio Honorário dos mais variados grupos académicos e culturais da Universidade do Minho.

A relação de particular proximidade entre Armando Osório e a Azeituna começou bem cedo, numa antestreia marcada pela destruição sucessiva de pandeiretas em palco. Ainda durante esse espectáculo surge a informação de que novas (e melhores) pandeiretas iriam ser adquiridas pelo então responsável dos SASUM.

Essa proximidade acabou por fazer com que no restaurante Castañuela, durante o jantar do 10º aniversário da Azeituna (decorria então o FITU Bracara Avgvsta de 2002), se tenha concedido a Armando Osório o galardão máximo da sua carreira de Comandante do Exército Azul: o de Azeituno Honorário. A partir desse momento o combate passava a ser feito no terreno.

O posterior acompanhamento e orientação da Azeituna em algumas actividades nacionais (e não só) por parte deste membro repleto de uma sabedoria de experiência feita, dita finalmente a carinhosa alcunha de “General”, oficializada com mais um jantar bem regado numa quinta próxima das Taipas.

Profissionalmente falando, para além dos variados cargos desempenhados na Universidade do Minho, foi Vereador da Câmara Municipal de Braga, Chefe de Gabinete do Ministro da Educação e Presidente do Conselho Nacional de Acção Social do Ensino Superior. Desempenha actualmente o cargo Director da Delegação de Braga da Cruz Vermelha.

António Guimarães Rodrigues

A 3 de Junho de 1950 é escalada pela primeira vez uma montanha com mais de 8000 metros. Maurice Herzog e Louis Lachenal atingem nesse dia o topo do Annapurna, enfrentando para isso o frio extremo dos Himalaias. Nesse mesmo ano, mas num ambiente bem mais quente e agradável, nascia em Lourenço Marques aquele que viria a ser o Magnífico Reitor da Universidade do Minho entre 2002 e 2009, António José Marques Guimarães Rodrigues.

Cumprindo o serviço militar obrigatório em Moçambique, inicia ainda na Universidade de Lourenço Marques a carreira docente que, em 1975 e já na Universidade do Minho, vê consolidada na área de Investigação Operacional e Simulação. A dicotomia quente-frio anteriormente apresentada é ainda hoje associada aos calafrios provocados a muitos Azeitunos pelos dois volumes da excelente sebenta de Investigação Operacional da autoria do Professor Guimarães Rodrigues. Apesar do terror sentido, ainda hoje se aplicam muitos dos ensinamentos nela contidos à gestão corrente da tuna.

No percurso profissional externo à Universidade do Minho foi fundador, Vice-Presidente e Presidente do Conselho de Auditoria da APDIO (Associação Portuguesa de Investigação Operacional), Coordenador da Comissão Temática de Produção e Gestão Industrial no 1º Ciclo de Avaliação da Fundação das Universidades Portuguesas, dirigiu o Instituto da NATO (ASI) Operations Research and Management in Fishing e é membro do "Board of Trustees" da Fundação INI-GraphicsNet desde Março de 2002.

Mais recentemente presidiu à Comissão Externa de Auditoria aos sistemas internos de garantia da qualidade das instituições de ensino superior no âmbito da 1ª edição de auditorias da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES).

Na Universidade do Minho desempenhou os cargos de Director do Departamento de Produção e Sistemas, Vice-Presidente e Presidente da Escola de Engenharia, Pró-Reitor da Universidade do Minho e Reitor da Universidade do Minho entre Julho de 2002 e Outubro de 2009, sendo actualmente Professor Catedrático aposentado. Foi ainda Presidente do Conselho de Administração do Centro de Computação Gráfica.

A proximidade, enquanto Reitor, com a vida estudantil da Academia minhota, confirmaram um destino fácil de prever. Para além de Sócio Honorário da Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM) é Azeituno Honorário desde 10 de Dezembro de 2010, tendo recebido este título no mesmo momento de Manuel Fernandes “Nelinho”, seu motorista na reitoria. A Capela da Nossa Senhora da Paz no Monte da Santinha em Amares testemunhou a integração na Azeituna daquele que já era, na realidade, um Azeituno.

Manuel Fernandes “Nelinho”

No mesmo ano de 1961 em que Yuri Gagarin conduzia a sua cápsula para o espaço, nascia a 3 de Maio aquele que pode ser chamado “o cosmonauta dos autocarros” tendo levado os Azeitunos até “onde homem algum tinha ido antes!” (ver “Star Trek”).

Se olharmos para os astros celestiais na tentativa de conhecer Manuel Fernandes “Nelinho”, vemos que a exactidão da Astrologia nos diz que os Touros “se encantam com os prazeres da vida, o luxo e a boa comida e bebida”. Se é verdade que estes são realmente traços do carácter de “Nelinho”, pode a Azeituna afirmar com pouca margem de erro que estas características são como que transversais a todo o ser humano com pelo menos um neurónio activo. E quem conhece o “nosso” motorista sabe que neurónios é coisa que não lhe falta.

Para além de uma energia inesgotável, os já mais de 500 mil quilómetros de estrada percorridos ao volante de autocarros por este bracarense da Senhora-a-Branca deixaram-no “fino que nem um rato”. Inicialmente funcionário do Bar da Associação, acaba por iniciar a sua carreira de motorista ao volante do autocarro da AAUM, presidida na altura por Luís Novais.

Acompanhando a Azeituna durante mais de dez anos por todo o Portugal e estrangeiro, foi na verdade padre, confidente e companheiro de aventuras e desventuras. Como na incrível noite da viagem entre Dublin e Cork em que, para além de fazer ski com o autocarro pelas estradas geladas da Irlanda, conseguiu fazer todo o percurso do lado errado da estrada, o esquerdo! Ou seria ao contrário?!

Por ironia do destino acabaria por se tornar Azeituno Honorário juntamente com António Guimarães Rodrigues, Reitor que o escolheu como motorista pessoal. Em Dezembro de 2010, durante o jantar de Natal da família Azeitunal, realizado nesse ano no restaurante Milho Rei em Amares, oficializou-se algo que já há muito se verificava na prática: “Nelinho” passava a ser um Azeituno de verdade.

Pai de dois filhos, é actualmente motorista da reitoria, conduzindo os Reitores da Universidade do Minho desde o mandato do Professor Chainho Pereira.

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